3.6.11

SAUDADES

Foi por ti que num sonho de ventura a flor da mocidade consumiu,
e as primaveras digo adeus tão, tão cedo e na idade do amor envelheci!
Vinte anos! derramei-os gota a gota
num abismo de dor e sofrimento...
De fogosas visões nutre meu peito...
Vinte anos! Não vivi um só momento!
Contudo, no passado uma esperança, tanto amor e ventura prometida, e uma virgem tão doce tão divina nos meus sonhos junto a mim adormeceu!
E quantas pessoas ao luar tardio não viu nossos amores inocentes?
Não embalou-se da morena virgem no suspirar, nos cânticos ardentes?
Eu sonhei tanto amor, tantas venturas tantas noites de febre e d'esperança! E no peito um tumúlo descansa!
Pálida sombra dos amores santos, posso, quando eu morrer,no meu jazigo, ajoelha-te ao luar e canta um pouco e lá na morte eu sonharei contigo!


AUTORA M.F.D

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