A tua cabeça dói de tantas coisas que foram ditas e pensadas, de tantas coisas vistas e sonhadas, de tantas coisas descobertas e indecifradas.
Os teus dias, tem sido azuis e ensolarados, as tuas noites claras e ensolaradas.
Muita paz. Muita dor.
O sangue continua a correr normalmente nas artérias do teu corpo, alimentando as tuas células, já cansada, pois és o produto final de tudo aquilo que puseres para dentro de ti...
E,quando, milhares de células já tiverem morrido e nascido milhares de vidas.
Poderás reconhecer nos teus gestos, os gestos daqueles a que amaste?
Poderás resumir numa única atitude todo o significado da tua existência?
Não. Pois cada um é, a cada instante, o resultado de todos os instantes e,se és confuso,inquieto e perturbado,é sinal evidente de que, os teus instantes, não foram ou não estão sendo desencadeados em sua ordem natural.
Choques, mudanças de valores, vivem nas ondas que se quebram nos recifes.
Poderás mutilar- te. Na realidade só existe um obstáculo a ser vencido --a ti mesmo.
O teu ego possui mais de mil truques, sabe mais de mil mentiras, cria mais de mil ilusões.
Liberta-te de ti mesmo. Toda a criação é agora e toda a aceitação também.
Este é o estado a que chegaste nesta busca vã. Cria asas. Projeta-te espaço afora, despoja-te das velhas frustrações.
Há muitos mundos dentro do mundo. O teu e o dos outros. Experimenta, conquista o impossível, apesar de não parecer possível.
Experimenta a sensação de estar com tudo, não estando com nada, acha graça do riso, sente pena dos pobres, beba chuva e deixa que penetre até os ossos, tem súbitas e inexplicáveis atrações, experimenta medo, enfrenta o mundo com a cara e a coragem, amarra os dissabores no “filó do deixa pra lá...”afinal o problema é só teu, e , trata-se da tua vida e da tua morte.
A compreensão correta é o ponto de equilíbrio entre o mundo cão e a alegria de viver, é aceitar a cada momento, todos os momentos.
Vai só, porém cheio de ti. Despe-te das proteções e das espadas, deixa teu antigo ser, morrer no fragor da luta e que quando o sol se por e, os batalhões se recolherem aos seus aposentos, carregando em pranto seus mortos, renasças livre e sábio como sempre o foste e brada em alto e bom tom: JÁ NÃO TEMO DIZER QUEM SOU, POIS O QUE SOU É TUDO QUE EU TENHO.
Se tu me conheceste ontem, por favor, não penses que eu seja a mesma pessoa que estás encontrando hoje. Eu tenho experimentado mais a vida, encontrei novas profundezas naqueles a quem amo, eu sofri, eu rezei e estou diferente. Aproxima-te, pois, de mim, com um senso de admiração, estuda meu rosto, minhas mãos e procura minha mudança.
E, se apesar de tudo, me reconheceres, não mais temerei dizer quem sou e apenas pedirei pra sentires e tentares compreender quilo que não digo e principalmente, tudo aquilo que não poderei te dizer.


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